As galhadas ressecadas são boas para fazer casinhas de passarinhos. Não pedirão licença porque agora as barreiras do mal acabaram. - Posso? Dirão felizes com as chaves do apartamento teatral: - Toda. - Toda à minha vida por andar safo com o fardo de poucas crenças. A rua vai ficar mais larga, os carros poderão ficar menos tempo no sinaleiro do sistema wave; vão nos cumprimentar rapidamente e poucas vezes seremos atropelados. A floresta cimentícia tecnológica chegará com mais rapidez ao banco imobiliário. Os buracos fundos dos viadutos ecoarão a pequena grandiosidade de suas feituras. Seremos mais ecológicos, podemos pegar atalhos e desviar a cara dos radares de duas pernas. Os amantes da arte não vão para Veneza porque sabem que ela não está lá - e ficarão com chatos por isso -, correrão as esquinas em busca de qualquer cárie mental na tentativa de obturar o inócuo, e beijarã...
para Sara A gente aqui em casa não fala do diabo para não atraí-lo. Nem mais acreditamos no bem, isso porque a Esperança se transformou em fila de atendimento. Também não discutimos a existência de Deus, renunciamos a qualquer informação por causa da água estagnada que os mensageiros bebem e, em seguida, cospem em nossa cara. Debates sobre o provável, o primeiro telefone acústico inventado na idade mais selvagem, a existência da arte, a bondade de um beijo e a flecha no coração, a revolução da miséria humana e a democracia, a ditadura como gancho de emergência do trem da história, mas apenas falamos ao léu. Somos desarvorados, diferente dos desertos verdes das plantações comuns, e esquecemos os motivos, as razões quadradas e numerais de doutrinas, de teorias do entendimento. Nossas falas, narrativas a exibir nossa existência caem no fundo fácil das armadilhas, e assim, simulamos que deixamos a vida, encolhidos no fundo dos questionamentos para não ofender o óbvio, para que não ve...