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Você nunca imaginaria que alguém pudesse embrulhar uma montanha ou que talvez, deixasse tantas sombrinhas num campo que fosse impossível imaginar algo parecido, mesmo um sonho que tivéssemos como referência. Tudo bem, Christo e Jeanne-Claude que são duas em uma só pessoa criadora: eles mesmos! Bem, fizeram isso e muito mais, como envolveram uma ilha com tanta dinâmica e força imaginativa que ficou para sempre na memória onírica das pessoas. Tudo aquilo que se poderia imaginar sendo feito por computador foi à luz do dia realizado. A obra de arte dimensionada desta maneira pode ser considerada com uma intervenção no espaço natural, no espaço das pessoas nos ambientes urbanos como arte minimal no senso sintético de sua representação, aquilo tudo que poderia ser referido colocado num só extasiante circuito.
A possibilidade da obra dá-se no sentido de possuir um chamamento à participar da obra, interagir, promover outra realidade, ativar o olhar interno, e rever de dentro da obra os pequenos pedaços dela entornados, tornar-se assim obra, e depois retomá-la pela fotografia, pelo cinema, pela imagem de um navio, vê-la da montanha, de um declive, no continente oposto ou reconfigurada na internet como na página deles.
Isso tudo é possível pela ação dos artistas – dois em um -, apesar de que por um momento você possa pensar que se trata de fetiche, loucura apoiada por um delírio de algum bilionário. Nada disso o projeto é feito, levado em busca de apoio, realizado e depois reapresentado em sua exposição para venda (dos maravilhosos ângulos subjacentes das obras realizadas), é a maneira aberta de (re)possuir a obra e poder revê-la.
As condições de manutenção e bem da obra estão em tudo que é geralmente efêmero: fica-se com o projeto, com o programa, com a fórmula, digamos assim, com a técnica a ser aplicada como um brinquedo de montar, como um quebra cabeça, um plano.
O objeto da obra é sua feitura, o seu impacto, a sua intensa força de apresentar a si mesmo como valor único e dissolúvel e que pode, a qualquer momento ser retomado, refeito o quanto queira-se refazer. É o tempo terreno, tempo da água, das intempéries, das ações humanas laterais que dizem o tempo de conservação. A obra de Christo e Jeanne-Claude é armazenada na memória eletrônica, no programa de montagem, mas só subsistirá se o suporte de seu envolvimento, de sua interferência subsistir.
A obra é uma retomada psíquica, alguém um dia contará à criança que viu uma montanha embrulhada de azul, e a criança imaginará e a obra se reestabelecerá em seu conceitual na memória e na imaginação. Talvez os artistas pudessem dizer: imaginei isso para ser feito. E imediatamente será feito na mente do outro e este se fará representar. Joguei uma pano suave camuflado em uma ilha da floresta e ninguém viu porque estava camuflado, mas tirei algumas fotos e ninguém percebe, e é muito interessante, podem dizer.
Um candidato pintou o viaduto do Minhocão e ficou conhecido e ganhou a eleição. A questão plástica pode ser também um desfile de todos os funcionários contratados, terceirizados de uma prefeitura para uma grande passeata mostrando o que o prefeito fez, uma incrível performance indicando para onde foi o din-din público. Um navio inteiro com passageiros carregado ao céu por 300 balões gigantescos – não é verdade, mas podia ser – e fizeram um lindo passeio pelo mundo. Os viajantes ao invés de transtornos digestivos e uns olhares horrorizados por ondas gigantescas, viam o céu e as nuvens, as estrelas, e o planeta lá longe.
Não vamos criar polêmicas, ainda mais agora que soube que dois astronautas tiveram a idéia de envolver o planeta no formato de um bom-bom azul – não acredite, mas sei que você imaginou.
Talvez seja esse o motivo de que entidades não-governamentais busquem aprovar o trabalho de Christo e Jeanne-Claude.
Preservação aqui possui a conotação de ter a obra sempre pronta, as duas, a divina e a que está no projeto, e sempre a caminho de ser novamente, pela ação criativa reapresentada, de uma forma ou de outra.